Querem falar sobre jornalismo?
Vamos conversar com Caco
Barcellos. Se eu já o admirava pela sua carreira jornalística, agora o admiro,
ainda mais, como pessoa. Bastaram duas horas de palestra (que voaram como 2
minutos) para que eu entendesse “por que faço jornalismo?”. Primeiro não foi
muito bem uma palestra, e sim uma conversa bem próxima, literalmente, de quem
trabalha acima de tudo com o aspecto humano da profissão. E não falo isso
baseada no fato de que jornalistas lidam diretamente com acontecimentos da sociedade,
mas baseada num profissional que defende o respeito à vida.
Somos expostos, diariamente, a
notícias de corrupção, escândalos, mortes, guerras, tudo focado em dizer as
questões políticas que envolveram os casos e o número de vítimas somadas. No
entanto, ninguém se preocupa em investigar a vida dessas pessoas, os motivos
que levaram a morte, de quem, de fato, é a culpa ou simplesmente se a morte era
mesmo a única saída. A maior indignação é: por que se mata tanto?
Por um princípio lógico, a
explicação seria que é a forma mais fácil de acabar de vez com o mal pela raiz.
Isso se a lógica, realmente, puder ser considerada um atributo de quem pratica
a carnificina. Mas, Caco ainda chamou a atenção para um dado interessante,
baseado em dois pilares: quem mais mata e quem mais morre.
O senso comum nos faz pensar,
imediatamente, nos bandidos, traficantes e policiais, mas é aqui que está o
erro. Pesquisas mostram que essa parcela de assassinos corresponde a 25% apenas,
enquanto os outros 75% são preenchidos pelo próprio ser humano, aparentemente comum
e inofensivo, mas que por descontrole emocional tira a vida como quem rasga uma
folha. Ciúmes, traição, desconfiança, posse, defesa de interesses. Marcas de uma
sociedade individualista que culpa o outro pelas injustiças sociais, mas que
não percebe que são os mais fracos os que mais morrem. Claro. Afinal, é mais
cômodo. E quem se importa, geralmente, não tem importância. É daí que surge a
impunidade e que se cria uma sociedade cada vez mais violenta.
Se bem que a impunidade não é tão
impune assim. Não se pune quem deveria ser educado, mas quem é vítima ou está
diretamente ligado a ela. E a punição vem da forma mais covarde e cruel possível,
por meio da pena de morte. Contraditório, não é mesmo? Um país que se declara
contra a pena de morte e tem cidadãos mortos todos os dias, sem ao menos
direito à defesa ou julgamento.
Peço aos jornalistas e a
sociedade que atente pra isso. Caco me fez refletir sobre os rumos que os
nossos passos dão, sobre as atitudes que temos a cada dia que acordamos, sobre
um mundo que esquece ser preenchido por pessoas e não por máquinas que você
desliga à medida que elas te incomodam.
Seres humanos, vai aí uma dose de
tolerância e sensibilidade.
Foto: Mariana Nogueira
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