segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Olhe a vida mais de perto


Querem falar sobre jornalismo?
Vamos conversar com Caco Barcellos. Se eu já o admirava pela sua carreira jornalística, agora o admiro, ainda mais, como pessoa. Bastaram duas horas de palestra (que voaram como 2 minutos) para que eu entendesse “por que faço jornalismo?”. Primeiro não foi muito bem uma palestra, e sim uma conversa bem próxima, literalmente, de quem trabalha acima de tudo com o aspecto humano da profissão. E não falo isso baseada no fato de que jornalistas lidam diretamente com acontecimentos da sociedade, mas baseada num profissional que defende o respeito à vida.

Somos expostos, diariamente, a notícias de corrupção, escândalos, mortes, guerras, tudo focado em dizer as questões políticas que envolveram os casos e o número de vítimas somadas. No entanto, ninguém se preocupa em investigar a vida dessas pessoas, os motivos que levaram a morte, de quem, de fato, é a culpa ou simplesmente se a morte era mesmo a única saída. A maior indignação é: por que se mata tanto?

Por um princípio lógico, a explicação seria que é a forma mais fácil de acabar de vez com o mal pela raiz. Isso se a lógica, realmente, puder ser considerada um atributo de quem pratica a carnificina. Mas, Caco ainda chamou a atenção para um dado interessante, baseado em dois pilares: quem mais mata e quem mais morre.

O senso comum nos faz pensar, imediatamente, nos bandidos, traficantes e policiais, mas é aqui que está o erro. Pesquisas mostram que essa parcela de assassinos corresponde a 25% apenas, enquanto os outros 75% são preenchidos pelo próprio ser humano, aparentemente comum e inofensivo, mas que por descontrole emocional tira a vida como quem rasga uma folha. Ciúmes, traição, desconfiança, posse, defesa de interesses. Marcas de uma sociedade individualista que culpa o outro pelas injustiças sociais, mas que não percebe que são os mais fracos os que mais morrem. Claro. Afinal, é mais cômodo. E quem se importa, geralmente, não tem importância. É daí que surge a impunidade e que se cria uma sociedade cada vez mais violenta.

Se bem que a impunidade não é tão impune assim. Não se pune quem deveria ser educado, mas quem é vítima ou está diretamente ligado a ela. E a punição vem da forma mais covarde e cruel possível, por meio da pena de morte. Contraditório, não é mesmo? Um país que se declara contra a pena de morte e tem cidadãos mortos todos os dias, sem ao menos direito à defesa ou julgamento.  

Peço aos jornalistas e a sociedade que atente pra isso. Caco me fez refletir sobre os rumos que os nossos passos dão, sobre as atitudes que temos a cada dia que acordamos, sobre um mundo que esquece ser preenchido por pessoas e não por máquinas que você desliga à medida que elas te incomodam.

Seres humanos, vai aí uma dose de tolerância e sensibilidade.


Foto: Mariana Nogueira

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Catavento




O vento. Livre, leve, solto. Invisível, mas necessário. Quem me dera ter um pouco do seu poder de existência. Somos tão visíveis aos olhos humanos e nos tornamos tão pequenos diante da imensidão do mundo.

Eu gosto de altura. De poder olhar o horizonte e não conseguir imaginar onde ele acaba. Sentir a brisa bater no rosto e ter os cabelos ao vento. Fechar os olhos e deixar a natureza acariciar a pele como se fosse um momento único. É nessas horas que a gente se esquece de tudo, para no tempo só pra apreciar os segundos passando devagar, quase parando, transformando a eternidade em algo muito além do que já é.

É por isso que eu tenho um sonho. Ridículo para uns, banal para muitos. Mas seria a sensação perfeita de liberdade. Quero voar de Asa Delta. Dos muitos meios aéreos, é o que mais me chama a atenção. Não tem a estabilidade de um avião, não tem a passividade de um balão e não tem a loucura do budget-jump.

É simples, bonito, harmonioso. Sentir como se tivesse asas de verdade, num voo mesmo que rápido, se faria inesquecível. E tudo isso pelo poder do vento que leva as coisas tristes e nos renova. Que hora pode ser furacão, girando em torno de si. De vez em quando é ventania, arrastando a sujeira. Mas que, sempre, é ar e vida. E a ele, minha gratidão.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Já dizia Camões [...] É um não querer mais que bem querer!


"Você tem de querer. Embora eu queira muito, mesmo eu querendo em dobro, não há como querer por você."

Inspirada nas palavras de Gabito Nunes, a pessoa que aqui vos fala teve um pensamento súbito. Quero falar sobre vontades, quero falar sobre desejos. Quero falar sobre “querer”. O autor ao qual me refiro é escritor de mão cheia pra quem gosta de textos protagonizados por temáticas femininas e relacionamentos, ou seja, dos meus preferidos. 

Sem delongas, venho enfatizar o que mais me chamou atenção na citação inicial. Somos do tipo que julgamos, do tipo palpiteiros e opinativos. Muitas vezes querendo ser conselheiros. Em outras, querendo ser fofoqueiros. O nosso problema é querer demais.

Querer mandar demais, falar demais, chorar demais, ser feliz demais. Nada é tão demais, que não possa que não possa resultar em “menos”. A vida tem a sua medida, exata e adequada para cada situação em que a gente se encontra. Não adianta querer demais, se não é pra ser.  Não adianta falar demais, se ninguém quer ouvir. Não adianta mandar demais, se ninguém for obedecer. Não adianta chorar demais, se ninguém for enxugar. Não adianta ser feliz demais, se for sozinho.

Passamos a vida toda querendo, querendo sempre mais. Querendo por nós, querendo pelos outros. Podemos querer, mas melhor ainda se pudéssemos agir. E se quiséssemos por todo mundo, um mundo que fosse só nosso.