Estamos cansados de ouvir aquela história de como será a vida das gerações futuras. Se nossos filhos e netos enfrentarão a 3ª Guerra Mundial que terá como principal motivo a falta de água potável. Preocupamos-nos com o futuro, e acabamos esquecendo que o nosso presente é incerto.
Já não é a primeira vez que nos é divulgado uma catástrofe natural como o terremoto e o tsunami do Japão. A natureza age em silencio e quando percebemos, cidades foram engolidas, famílias foram destruídas e milhares de vidas tiradas. A partir daí, ficam os olhares de indignação e desespero mundial. Momentos que marcam para sempre a vida de quem acompanha essas tragédias a um passo ou a quilômetros de distância.
A posição geográfica em que o Brasil se encontra é privilegiada. Longe das bordas das placas tectônicas não sentimos muito o impacto causado pelo choque entre elas. Por isso, os terremotos são raros por aqui. Outra sorte é que aqui os vulcões são inativos. Entretanto, não estamos livres da fúria da natureza.
O drama pelo qual os cariocas passaram há pouco tempo é um exemplo disso. As chuvas ocorreram com tanta intensidade que provocou enchentes arrasadoras e deslizamentos de terra, resultando na morte de mais de 700 pessoas. Voltando a um passado recente, lembramos dos terremotos no Haiti e no Chile e do tsunami na Índia. Todos esses fatos são provas de que a ação do homem que degrada o meio ambiente com a sua poluição e a retirada da cobertura vegetal, provocando o assoreamento dos rios e facilitando o deslizamento térreo contribui com o aquecimento global, e num conjunto de más atitudes acelera o seu próprio processo de morte.
O maior dilema disso é que assim que tais catástrofes acontecem, o mundo se comove e pensa sobre seus feitos, pois a mídia dá tamanha atenção e dramatização à cena que o sentimento de auto-culpa cai sobre quem não dá tanta importância ao fato, afinal muitos pensam “não foi aqui mesmo”. Entretanto, o problema é que a conscientização não deveria esperar o mal acontecer, deveria estar à frente, para evitá-la.
Trata-se de um toma lá da cá, de uma ação e reação, uma brincadeira que pode não ter fim pra natureza, mas um trágico desfecho para nós, seres humanos.