domingo, 30 de janeiro de 2011

Ser feliz é uma arte e recomeçar faz parte!

Passadas as festas de fim de ano, é hora de recomeçar. Não sei se o recomeço é pior ou melhor que o começo, mas, de fato, é diferente. No momento em que me encontro, considero 2011 a hora de refletir tudo o que aconteceu no ano que acabou e considerar válidas todas as experiências.
Não estou mais fadada a deparar com o incerto como foi o inicio de 2010, afinal agora me tornei veterana, pelo menos é assim que se declara quem conseguiu entrar no segundo ano de graduação. A insegurança e a solidão de se deparar com pessoas nunca antes conhecidas deram lugar a experiência de agora me tornar anfitriã daqueles que passarão por situações semelhantes. Pelo menos neste aspecto posso dizer: sou veterana.
Mas o incerto é “uma pedra no sapato”, algo que sempre está presente em tudo que vamos fazer. A voz da consciência acaba falando mais alto em nossa mente soprando uma perguntinha que nos intriga: você tem certeza disso? E por mais que tivéssemos, a pergunta acabou com toda ela e dúvida surgiu para nos incomodar.
Nesse âmbito, sempre seremos bixos, ou seja, crus de certezas absolutas, mas prontos para descobri-las. É uma época de novas descobertas, nossas pessoas, novas cidades, nova vida!
De certa maneira, mesmo já tendo acostumado com a vida universitária, quero me considerar bixete no que diz respeito a novas descobertas, quero aproveitar todas as oportunidades boas que surgirem e consolidar as que já me foram apresentadas.
A vida é uma caixinha de surpresas, mas se fosse tudo muito óbvio nada teria tanta graça, porque o ato de conseguir desvendar as coisas que nos intrigam é a arte de viver e ser feliz. E aconselho, aproveite cada minuto daquilo que faz bem, pois pode ser passageiro, no entanto ficará marcado e essas lembranças nunca serão esquecidas.
Assim, deixo aqui uma frase muitas vezes dita por uma querida amiga: “NÃO SE APAIXONE PELO DESTINO, SE APAIXONE PELA VIAGEM”.

E que essa lhe deixe marcas boas!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Do pensamento ao nada


“Penso, logo existo”.  Pode até parecer intelectual levando em consideração que essa frase provém de um filósofo conhecido, René Descartes. Mas, ela é muito mais simples e presente em nossas vidas do que podemos imaginar. Somos todos seres humanos e pensamos ininterruptamente, até mesmo quando pensamos não pensar, estamos pensando. Confuso, não? Porém, verdadeiro. Todo mundo tem seu momento de reflexão, ainda mais por vivermos numa sociedade tão individualista que se contradiz ao se preocupar tanto com o que é alheio a ela.
Somos julgados moral ou legalmente pelas nossas ações, tudo aquilo que se atreve a ser diferente logo é motivo de olhares tortos. Acredito que o problema está na falta do que pensar.
As pessoas tão vazias de conteúdo não se dedicam ao que é importante e por isso, passam a valorizar e dar mais atenção a coisas supérfluas que se reduzem a aparências. Assim, considerando a citação inicial, acredito que as pessoas existem, mas não existem como deveriam. A essência do individuo está no conhecimento que ele deixa para as outras gerações, nas lembranças boas que ele carrega, na contribuição que ele exerce. E isso é motivo de orgulho. Mas, e essas pessoas ligadas ao “nada” pelo o que serão lembradas? Se forem, desencadearão os olhares tortos que um dia elas mesmas lançaram sobre outras e isso traduzirá no desprezo.
                Infelizmente, há muito mais sujeitos assim do que construtores de boas recordações. Esses deveriam cair em si, antes de notar que é tarde demais para fazer a diferença no mundo. Somos bombardeados com tanta informação que nossa mente se funde, quando deveria funcionar a fim de nos mostrar o que de fato é importante e acrescenta à nossa evolução.
                Máscaras de boa aparência por fora e explosão de conteúdo por dentro. Dois universos que, indubitavelmente, se completam, mas que, provavelmente, não existem de maneira tão perfeita. É assim o paradoxo da humanidade. Um debate sem respostas, um todo sem o tudo, um alguém repleto de defeitos, mas que, nem por isso, deixa de pensar.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Uma turma de amigos e seus respectivos segredos

Brincadeira de criança que emociona e diverte adultos

Final de ano sempre lembra festa. As pessoas comemoram por mais um ano completo, pelo décimo terceiro tão esperado, pelas férias merecidas. Outros seguem a linha religiosa e agradecem pelo nascimento do menino Jesus. Mas, ainda há aqueles que gostam de brincar nessa época. Uma brincadeira originária da Escandinávia que, em pleno período da Depressão, tinha como objetivo presentear uns aos outros com as coisas que possuíam, visto que as pessoas não tinham dinheiro para comprar.
            Dessa maneira, surge o tradicional Amigo Secreto. Atualmente, ele é comum em rodas de amigos, no ambiente familiar e até mesmo profissional. É uma forma de descontração e liberação de todo o estresse acumulado durante o ano. A diversão isenta de faixa etária passou por algumas modificações com o tempo. A velha maneira de se colocar os nomes dos participantes em papéis dobrados e um de cada vez retira o nome do seu amigo secreto e depois através de dicas que o identifica, as pessoas tentam descobrir quem é, deixou de ser a forma exclusiva de se brincar. O também chamado Amigo Oculto agora possui outras versões.
            Estando entre amigos por que não zombar um pouco? É esse o objetivo do Inimigo Secreto. Sua única diferença em relação ao Amigo é que as dicas dadas são o oposto do que o seu segredo é, assim como os presentes, que geralmente procuram zoar com a pessoa tirada. O Amigo de Chocolate, da Caneca e outros desse gênero, têm como principal característica definir um objeto que é a temática da brincadeira. Todos ganham o mesmo tipo de presente, mas este é escolhido de acordo com as particularidades e gostos de cada um.
            Pode parecer uma brincadeira boba, ou até mesmo “coisa de criança”, mas ninguém consegue esconder a ansiedade para saber quem tirou quem. Para aumentar ainda mais a adrenalina, nada melhor que formar uma roda e colocar ao centro a pessoa que vai revelar seu amigo. Os olhos focados, os ouvidos concentrados, a curiosidade aguçada. Eis que a primeira dica é dada e os palpites começam. A cada rodada que os segredos vão sendo revelados a expectativa de ser o próximo a sair é maior. Pessoa descoberta e a alegria salta aos olhos de quem foi o segredo da vez. 
            Descrever essa sensação é fácil. Foi assim que me senti nas últimas semanas.  Para não fugir da tradição participei também de um Amigo Secreto. Com direito até a senha para facilitar a comunicação. Assim, aconteceu o Chapolin flor do campo. Desde o dia em que tiramos os papéis, até o dia da revelação, não se conseguia passar um dia sem pensar: quem será que me tirou? Chega a sexta-feira, 3. Aproximadamente à 1 hora da manhã os amigos são desvendados. Passa uma, duas, três rodadas e nada ainda de sair meu nome. Até que no meio da brincadeira escuto a seguinte definição: Meu amigo secreto é uma pessoa de pequeno porte e adora chorar. Pronto. Nem precisou terminar a frase. As lágrimas escorriam aos montes, como o rio que deságua no oceano. Ah! Mentira. Não foi para tanto. Mas, a felicidade de chegar a minha vez e ainda saber que fui tirada por uma pessoa tão especial foram motivos suficientes para me fazer chorar.
            Aliás, entre amigos todos são especiais. Foi a impressão que tive ao ouvir dezenas de palavras de amor e doçura de pessoas que provaram que não só do tempo depende as amizades. As pessoas são que a solidificam.
            Por fim, acredito que seja essa a lição retirada de uma simples brincadeira. O ano pode ter sido desgastante. As pessoas podem ter tido problemas, passado por dificuldades e pensado em desistir. No entanto, no momento em que procura a descontração em meio à alegria que o significado e as luzes do Natal  trazem, é que se percebe o quanto é importante valorizar a simplicidade da vida. Pois, ocasiões como essa, são importantes para lembrar de que podem ter acontecido imprevistos pelo caminho, mas com certeza aconteceram mais coisas boas e que tais devem ser guardadas para sempre como a significância da definição que é nos atribuída quando somos o amigo secreto de alguém especial.

Coronelismo do século XXI

Esquecendo um pouco os dias letivos da faculdade, decidi viajar com a família em pleno período eleitoral. O destino escolhido foi a capital alagoana. No entanto, o que era para ser férias precoces, tornou-se uma profunda avaliação e indignação com a desigualdade encontrada. A cidade de Maceió, cuja base econômica é composta pela cana-de-açúcar e produção de coco, viu na atividade turística a possibilidade de “fazer negócio”. Um ramo amplo e ambicioso que investe cada vez mais no conforto do turista. Como membro deste grupo e desfrutadora deste investimento, eu deveria ter somente lembranças boas, guardar somente imagens bonitas e passar adiante minha perfeita experiência. Uma pena. Não foi assim.
 De Van em Van a caminho de lindas praias com água cristalina e centenas de altos coqueiros, que compõem uma paisagem deslumbrante, frustrei-me. Quem mira o olhar para o horizonte não percebe as pequeninas casas de barro, cobertas com lonas, que estão à beira da estrada sem as mínimas condições de uma vida digna. Famílias enormes, com fome que veem cada turista que ali passa como um “Deus” que pode salvá-los. É triste. E se engana quem pensa que essa miséria se concentra em um canto ou um caminho infeliz pelo qual passei. Não. Ela se estende por toda a cidade e redondeza. Chega a ser irônico quando temos de um lado da rua um prédio restaurado com arquitetura neoclássica, enquanto do outro, há lugares onde não se dá para acreditar que possa morar alguém.  Um pedaço de asfalto separa a rica cultura, da falta dela.
E é nessa hora que se faz o questionamento sobre quem é culpado. Uns dizem: são dos governantes. Outros: é do povo que os escolheu. Mas, talvez seja dos dois. Os governos viram na pobreza “a chave para o sucesso”. Milhões de pessoas vazias, no sentido literal e figurado, que somam votos em troca de assistência. Se ainda fosse algo que melhorasse suas vidas, estava bom. Porém, se trata só de manutenção do ciclo podre, baseado nos “Bolsa-lixo” que sustenta a miséria dessas famílias por várias gerações. Crianças que vão à escola não para aprender, mas para se alimentar.  Com isso, esses humildes que não tem boca para requerer seus direitos de cidadãos, se conformam com a realidade. Resultado: casais têm 12, 13, 14 filhos para conseguirem se sustentar. Uma descarada troca de favores.  
Vésperas do segundo turno. Nas ruas da capital, centenas desses miseráveis, desde crianças até mesmo adultos, passam o dia nos canteiros das avenidas segurando bandeiras que promovem candidatos ao Governo do Estado. Uma vergonha. Tais candidatos em época de campanha tratam esse povo como uma massa única da qual pode tirar proveito e não os encara como indivíduos independentes que compartilham da mesma triste história. Mas, assim que se elegem, nem se lembram dos choros por fome, frio, falta de moradia, enchentes. Lágrimas que escorrem dos olhos de quem não tem expectativa de uma vida melhor. Por fim, se valida o eterno clichê: Poucos com muito e muitos com tão pouco. Ou melhor, quase nada.

O “ser” humano

Todo dia tenho a mesma rotina. Os mesmos horários, as mesmas obrigações, tudo parece ser um ciclo, em que acordar e dormir é, respectivamente, o início e o fim. Entretanto, hoje acordei me sentindo diferente, a começar pela hora que me pareceu estagnada às três e meia da madrugada e, desta maneira, após muito insistir no sono que não vinha, decidi me levantar e me pus a ler um livro. Estava eu sentada na poltrona da sala de estar, um cômodo aconchegante e bem decorado, com um livro de aventura sobre o colo e iluminada somente com a luz de um abajur que estava ao lado. Partindo da história intrigante de um cavaleiro rebelde que, embora fosse o herdeiro de todo um império, preferia se desfazer dos bens para cavalgar em busca de aventura e emoção, comecei a viajar em minha imaginação a pensar e tentar entender o que move as pessoas.
O cavaleiro percorria um caminho sem destino, e assim passava por inúmeras vilas, situações e pessoas. Todos os dias isso acontece com nós. Com quantas pessoas nos deparamos na rua? Às vezes sentimos até raiva por um esbarrão que nos deram, mas nunca ninguém pára para pensar que cada uma delas possui uma história, um destino, um fim. É como se eu tivesse aberto a porta de meu apartamento e desse de cara com aquelas portinhas de outras famílias. Por fora tudo parece monótono, mas por dentro...
Cada ser humano possui sua rotina, cada um é autor da sua própria história. É curioso como isso passou do plano das idéias na minha mente, para o plano real. Comecei a imaginar um lugar onde houvesse uma multidão, estariam ali não só indivíduos comuns, mas vidas ambulantes. Cada qual com seus problemas, indo e vindo de diversos lugares, com seus afazeres. Todos têm tanto de si para se preocupar que ninguém quer perder seu tempo pensando no que o outro está passando, se tem alguma dificuldade. É exterior a nós o que acontece na vida daquele que passa ao lado. Nessa hora, me perdi no labirinto de minha alma, as idéias causaram uma enorme confusão dentro de minha cabeça: estaria certo eu me preocupar com o alheio?
Esse monólogo parecia ter durado a eternidade, mas foi quando me dei conta de que o sino da Igreja badalara quatro vezes. Voltei, então, meus olhos e minha concentração a leitura que eu havia iniciado. O cavaleiro da narração transpareceu a minha identidade. As atitudes dele me fizeram lembrar os questionamentos que eu fizera há pouco. Permaneci assim por mais alguns minutos e sabia que quando me deparasse com outras pessoas não as veria com os mesmos olhos e tal reflexão me fez chegar à conclusão de que “o homem é conhecedor do mundo, mas desconhecedor do próprio homem”.