Não sou nenhum ícone da beleza
feminina. Tampouco o tipo de mulher que passa na rua e é vista em slow-motion
com cabelos ao vento. Ou talvez eu seja. Basta eu querer. Temos a incrível
mania de dar mais valor ao que pensam a nosso respeito do que a ideia que temos
de nós mesmos. O erro está aí. Ser bonita aos olhos dos outros é mais
importante do que a mesma consideração aos nossos olhos.
O problema é que o que os outros
veem, geralmente, se limita a aspectos físicos e nós somos muito mais que isso.
Cada um é especial pelo motivo que lhe faz ser diferente. Pode não ser algo
extraordinário, mas isso marca a sua personalidade. Por muito tempo pensei não
ter dom nenhum. Tenho amigos que cantam, outros que dançam, uns que sabem maquiar,
aqueles que fazem rir, outros são bons em fazer nada e assim já são tudo.
Conheço pessoas de todos os jeitos e todas elas são especiais do que jeito que
são. E eu sei fazer um pouco de cada coisa, mas não faço nada bem. E me divirto
com isso.
Tem dias em que me sinto especial
por ser amada porque sou a filha mais bonita do mundo aos olhos da minha mãe.
Há manhãs que se alegram por eu ter falado três ou quatro palavras que
arrancaram um sorriso de uma amiga. Há amigos que gargalham com frases que só
eu sei dizer. Sei lá, o que acontece. Só sei que eu sou única para o meu
espelho. Ele não fala, só escuta. Não quebra, só reflete. Não distorce, só
reproduz o que eu realmente sou aos meus olhos. Olhos que enxergam muito além
da imagem e da aparência. Olhos que se preocupam com a alma, com a essência.
Acho que um pouquinho de
auto-ajuda não faz mal a ninguém. Uma dose de elogio todos os dias muito menos.
Nem que ele venha de você mesmo. Afinal, se tem alguém que tem que te aturar é
seu próprio corpo, se você não gostar do que é, ninguém fará isso por você.
Alôô, acorda! Há uma vida linda
lá fora e ela precisa do seu brilho pra ser completa.
