E de novo vem a inspiração. Chego
a assustar-me com tantas palavras querendo ser expostas em tão pouco tempo. A
algum tempo atrás era preciso dias e dias pensando em algo interessante para
escrever. Hoje, está tudo mais fácil. A prática me proporcionou a leveza da
escrita. Aprendi que textos são interessantes não só pelo tema que carregam,
mas pela forma como são escritos. Deixo aqui meu momento de humildade... pois,
com certeza, li muitos outros textos bem mais inteligentes, atraentes, cheios
de conteúdo que os meus, mas fico feliz por ter cativado alguns leitores.
Pessoas, estas, que não se
importam com o meu “pseudo-profissionalismo” ou minhas confissões de uma
pré-adulta em crise, mas que perdem minutos de seu precioso tempo para dedicar
sua atenção a esta estudante que aqui vos fala. Por isso, resolvi escrever mais
um pouco sobre a justaposição de palavras que se encaixam e compõem meus
textos.
Às vezes, dou sorte. Vejo ou
penso em algo que me atraia ou que faça parte do meu cotidiano e as palavras
simplesmente saem, aos poucos, uma a uma vão se completando e no final, publico
aqui. Na maioria das vezes, são sentimentos internos loucos para saírem à
procura de ar. Aprisionados nesse ser de pequeno porte, sentem-se sufocados e
pressionam a mente a fim de serem expostos. Eu escrevo e vem o alívio. Outras
horas, vejo coisas que me indignam, pesquiso sobre o assunto e usufruindo de
uma linguagem mais técnica, produzo textos jornalísticos. Pelos menos, são
jornalísticos na minha concepção. Mas aí, tem um tipo que mais me encanta. É
trabalhoso sim, mas por ele perco horas e horas de lidas e reescritas para
fazê-lo da melhor forma. Um alô, para o JORNALISMO LITERÁRIO.
Ah... Esse sim me tira o fôlego.
É do tipo de texto que depois de escrito, você não se cansa de ler, apesar de
tê-lo feito tantas e tantas vezes durante a produção. Gosto desse gênero porque
me permite trabalhar com observações, impressões que tenho a respeito de
determinado assunto. Classifico até como jornalismo “comportamental”.
Contrapondo os demais tipos jornalísticos,
esse é um tanto quanto mais liberal no que se trata a objetividade. Carregado
de linguagem figurada, dinamismo e pensamentos, a subjetividade encontrou uma
forma de mostrar que também é jornalismo. Isso porque essas características
antes abomináveis pelas redações, agora são feitas com tamanho profissionalismo
que mereceram credibilidade. São matérias que a partir dos fatos, encontraram
uma boa história pra contar. Um jeito gostoso de escrever, e mais ainda de ser
lido. Atento aos mínimos detalhes, tudo enriquece o texto. Uma foto na parede.
Um jeito de cruzar a perna. Uma expressão do entrevistado para o entrevistador.
A linguagem não verbal navega num mar de possibilidades. E todos esses
detalhes, bem percebidos e observados, agregam valores que geram informação. No
fim das contas, você tem em mãos um texto informativo e apreciável.
Bom, posso cativar opiniões
contrárias a minha. É direito de cada um a liberdade de expressão e opinião.
Mas para mim é essa forma de escrever que nunca entedia. Nem o cansaço, nem a
dor de cabeça, nem a preguiça são desculpas. Assuntos definidos, personagens
observados, palavras redigidas ou digitadas, eis que surge a boa história com o
que tem de melhor, que é a sua leitura.
Aos que leram esses e tantos
outros textos, o meu muito obrigada.
