É mania do ser humano analisar
calendários para contar quantos feriados terá o ano. Independente se você gosta
ou não do que faz nos dias úteis, um “ficar à toa” de vez em quando é sempre
bem-vindo. Mas, pra quem mora longe da família e é apegado ao lugar onde vive,
o feriado tem dois sabores contrapostos.
O primeiro e óbvio é a
expectativa para o tão grande dia de voltar pra casa e rever a família e os
amigos. Você espera ansiosamente, faz malas e planos, programando aproveitar
cada segundinho de tudo isso. E o que acontece? O feriado passa voando. Quando
vê já é hora de voltar. Alguns demoram mais para ir do que o tempo que
permanecem lá, mas todas as horas valem a pena.
No entanto, o que eu quero falar
mesmo é sobre o segundo sabor que é o da saudade que fica. Parece exagero, mas
defino feriados prolongados como uma espécie de “mini-férias”. Isso porque a
sensação da espera é bem semelhante e o sentimento de quem deixa pra trás o
cantinho onde vive agora também. Nessa situação fazer as malas se torna
tortura. A impressão é de que nada do que você vai levar vai te satisfazer e o
que você vai querer usar mesmo é aquilo que deixou. Deve ser certa implicância
do psicológico com uma dose de ironia. Algo que te deixe com mais vontade de
voltar logo e faça com que o tempo passe ainda mais devagar.
Ao contrário do que sugeri no
último parágrafo, gosto muito de ir pra casa e estar perto daqueles que sempre
fizeram parte da minha vida, mas é engraçado como acostumamos tanto a viver
fora que em qualquer outro lugar nos sentimos hóspedes. A independência de
morar sozinha e a responsabilidade dessa atitude me proporcionaram a
oportunidade de ter um lar com a minha cara. Cores e objetos que eu gosto
enfeitam um pequeno apartamento que eu sinto ter sido feito pra mim. A
expressão feia que estampou a minha face quando eu o conheci pela primeira vez foi
um tapa na minha cara depois desses quase 3 anos. Nunca imaginei me adaptar
tanto assim.
Acredito que a consciência de
saber que meu tempo aqui é passageiro faz-me querer aproveitar todos os
momentos que posso a fim de conquistar lembranças permanentes. Mas e o coração
como é que fica? Completamente dividido, pois ao mesmo tempo a vida na outra
cidade não para e a ausência tenta se fazer presente para que ninguém te
esqueça.
Como de costume, dramatizei um
pouco uma situação simples. Seria mais fácil dizer que feriados prolongados são
ótimos para descansar, mas que dá saudade de estar longe de onde você se
acostumou a viver. Poderia mesmo ter escrito só isso, mas aí dariam somente
três linhas e o post não traria nada de original. O que está longe de ser
aquilo que eu quero. Por isso, trouxe mais uma vez algumas impressões de quem
está com a cabeça a mil, vendo todo mundo ir embora e esperando a sua vez.
Seja curto, ou prolongado. Um
final de semana ou férias. Aproveite bem o tempo e o lugar onde você está,
porque tudo tem a sua vez e a sua hora de ser vivido.
