O vento. Livre, leve, solto.
Invisível, mas necessário. Quem me dera ter um pouco do seu poder de
existência. Somos tão visíveis aos olhos humanos e nos tornamos tão pequenos
diante da imensidão do mundo.
Eu gosto de altura. De poder
olhar o horizonte e não conseguir imaginar onde ele acaba. Sentir a brisa bater
no rosto e ter os cabelos ao vento. Fechar os olhos e deixar a natureza
acariciar a pele como se fosse um momento único. É nessas horas que a gente se
esquece de tudo, para no tempo só pra apreciar os segundos passando devagar,
quase parando, transformando a eternidade em algo muito além do que já é.
É por isso que eu tenho um sonho.
Ridículo para uns, banal para muitos. Mas seria a sensação perfeita de
liberdade. Quero voar de Asa Delta. Dos muitos meios aéreos, é o que mais me
chama a atenção. Não tem a estabilidade de um avião, não tem a passividade de
um balão e não tem a loucura do budget-jump.
É simples, bonito, harmonioso. Sentir
como se tivesse asas de verdade, num voo mesmo que rápido, se faria
inesquecível. E tudo isso pelo poder do vento que leva as coisas tristes e nos
renova. Que hora pode ser furacão, girando em torno de si. De vez em quando é
ventania, arrastando a sujeira. Mas que, sempre, é ar e vida. E a ele, minha
gratidão.

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