sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O “ser” humano

Todo dia tenho a mesma rotina. Os mesmos horários, as mesmas obrigações, tudo parece ser um ciclo, em que acordar e dormir é, respectivamente, o início e o fim. Entretanto, hoje acordei me sentindo diferente, a começar pela hora que me pareceu estagnada às três e meia da madrugada e, desta maneira, após muito insistir no sono que não vinha, decidi me levantar e me pus a ler um livro. Estava eu sentada na poltrona da sala de estar, um cômodo aconchegante e bem decorado, com um livro de aventura sobre o colo e iluminada somente com a luz de um abajur que estava ao lado. Partindo da história intrigante de um cavaleiro rebelde que, embora fosse o herdeiro de todo um império, preferia se desfazer dos bens para cavalgar em busca de aventura e emoção, comecei a viajar em minha imaginação a pensar e tentar entender o que move as pessoas.
O cavaleiro percorria um caminho sem destino, e assim passava por inúmeras vilas, situações e pessoas. Todos os dias isso acontece com nós. Com quantas pessoas nos deparamos na rua? Às vezes sentimos até raiva por um esbarrão que nos deram, mas nunca ninguém pára para pensar que cada uma delas possui uma história, um destino, um fim. É como se eu tivesse aberto a porta de meu apartamento e desse de cara com aquelas portinhas de outras famílias. Por fora tudo parece monótono, mas por dentro...
Cada ser humano possui sua rotina, cada um é autor da sua própria história. É curioso como isso passou do plano das idéias na minha mente, para o plano real. Comecei a imaginar um lugar onde houvesse uma multidão, estariam ali não só indivíduos comuns, mas vidas ambulantes. Cada qual com seus problemas, indo e vindo de diversos lugares, com seus afazeres. Todos têm tanto de si para se preocupar que ninguém quer perder seu tempo pensando no que o outro está passando, se tem alguma dificuldade. É exterior a nós o que acontece na vida daquele que passa ao lado. Nessa hora, me perdi no labirinto de minha alma, as idéias causaram uma enorme confusão dentro de minha cabeça: estaria certo eu me preocupar com o alheio?
Esse monólogo parecia ter durado a eternidade, mas foi quando me dei conta de que o sino da Igreja badalara quatro vezes. Voltei, então, meus olhos e minha concentração a leitura que eu havia iniciado. O cavaleiro da narração transpareceu a minha identidade. As atitudes dele me fizeram lembrar os questionamentos que eu fizera há pouco. Permaneci assim por mais alguns minutos e sabia que quando me deparasse com outras pessoas não as veria com os mesmos olhos e tal reflexão me fez chegar à conclusão de que “o homem é conhecedor do mundo, mas desconhecedor do próprio homem”.

4 comentários:

  1. Priiii.... to sem palavras Garotaaa! Humilhaaaaa, você tem potencialll! Lindas Palavras... Fã¹

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  2. Olá, pequena Pri. Preferi comentar o primeiro post, por ser o primeiro, e também porque já fui apresentado aos outros dois textos. Persista no blog. Escrever se aprimora com a prática. E você tem talento. Bastante. Grandes textos surgirão por aqui, é minha aposta. Já sou seguidor. Beijos.

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  3. Parabéns, Prii. Ainda baqueado não consigo diser mais nada. Faço minhas as palavras do Lausa.Tbm sou seguidor!!!

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