“Penso, logo existo”. Pode até parecer intelectual levando em consideração que essa frase provém de um filósofo conhecido, René Descartes. Mas, ela é muito mais simples e presente em nossas vidas do que podemos imaginar. Somos todos seres humanos e pensamos ininterruptamente, até mesmo quando pensamos não pensar, estamos pensando. Confuso, não? Porém, verdadeiro. Todo mundo tem seu momento de reflexão, ainda mais por vivermos numa sociedade tão individualista que se contradiz ao se preocupar tanto com o que é alheio a ela.
Somos julgados moral ou legalmente pelas nossas ações, tudo aquilo que se atreve a ser diferente logo é motivo de olhares tortos. Acredito que o problema está na falta do que pensar.
As pessoas tão vazias de conteúdo não se dedicam ao que é importante e por isso, passam a valorizar e dar mais atenção a coisas supérfluas que se reduzem a aparências. Assim, considerando a citação inicial, acredito que as pessoas existem, mas não existem como deveriam. A essência do individuo está no conhecimento que ele deixa para as outras gerações, nas lembranças boas que ele carrega, na contribuição que ele exerce. E isso é motivo de orgulho. Mas, e essas pessoas ligadas ao “nada” pelo o que serão lembradas? Se forem, desencadearão os olhares tortos que um dia elas mesmas lançaram sobre outras e isso traduzirá no desprezo.
Infelizmente, há muito mais sujeitos assim do que construtores de boas recordações. Esses deveriam cair em si, antes de notar que é tarde demais para fazer a diferença no mundo. Somos bombardeados com tanta informação que nossa mente se funde, quando deveria funcionar a fim de nos mostrar o que de fato é importante e acrescenta à nossa evolução.
Máscaras de boa aparência por fora e explosão de conteúdo por dentro. Dois universos que, indubitavelmente, se completam, mas que, provavelmente, não existem de maneira tão perfeita. É assim o paradoxo da humanidade. Um debate sem respostas, um todo sem o tudo, um alguém repleto de defeitos, mas que, nem por isso, deixa de pensar.

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