Final de ano sempre lembra festa. As pessoas comemoram por mais um ano completo, pelo décimo terceiro tão esperado, pelas férias merecidas. Outros seguem a linha religiosa e agradecem pelo nascimento do menino Jesus. Mas, ainda há aqueles que gostam de brincar nessa época. Uma brincadeira originária da Escandinávia que, em pleno período da Depressão, tinha como objetivo presentear uns aos outros com as coisas que possuíam, visto que as pessoas não tinham dinheiro para comprar.
Dessa maneira, surge o tradicional Amigo Secreto. Atualmente, ele é comum em rodas de amigos, no ambiente familiar e até mesmo profissional. É uma forma de descontração e liberação de todo o estresse acumulado durante o ano. A diversão isenta de faixa etária passou por algumas modificações com o tempo. A velha maneira de se colocar os nomes dos participantes em papéis dobrados e um de cada vez retira o nome do seu amigo secreto e depois através de dicas que o identifica, as pessoas tentam descobrir quem é, deixou de ser a forma exclusiva de se brincar. O também chamado Amigo Oculto agora possui outras versões.
Estando entre amigos por que não zombar um pouco? É esse o objetivo do Inimigo Secreto. Sua única diferença em relação ao Amigo é que as dicas dadas são o oposto do que o seu segredo é, assim como os presentes, que geralmente procuram zoar com a pessoa tirada. O Amigo de Chocolate, da Caneca e outros desse gênero, têm como principal característica definir um objeto que é a temática da brincadeira. Todos ganham o mesmo tipo de presente, mas este é escolhido de acordo com as particularidades e gostos de cada um.
Pode parecer uma brincadeira boba, ou até mesmo “coisa de criança”, mas ninguém consegue esconder a ansiedade para saber quem tirou quem. Para aumentar ainda mais a adrenalina, nada melhor que formar uma roda e colocar ao centro a pessoa que vai revelar seu amigo. Os olhos focados, os ouvidos concentrados, a curiosidade aguçada. Eis que a primeira dica é dada e os palpites começam. A cada rodada que os segredos vão sendo revelados a expectativa de ser o próximo a sair é maior. Pessoa descoberta e a alegria salta aos olhos de quem foi o segredo da vez.
Descrever essa sensação é fácil. Foi assim que me senti nas últimas semanas. Para não fugir da tradição participei também de um Amigo Secreto. Com direito até a senha para facilitar a comunicação. Assim, aconteceu o Chapolin flor do campo. Desde o dia em que tiramos os papéis, até o dia da revelação, não se conseguia passar um dia sem pensar: quem será que me tirou? Chega a sexta-feira, 3. Aproximadamente à 1 hora da manhã os amigos são desvendados. Passa uma, duas, três rodadas e nada ainda de sair meu nome. Até que no meio da brincadeira escuto a seguinte definição: Meu amigo secreto é uma pessoa de pequeno porte e adora chorar. Pronto. Nem precisou terminar a frase. As lágrimas escorriam aos montes, como o rio que deságua no oceano. Ah! Mentira. Não foi para tanto. Mas, a felicidade de chegar a minha vez e ainda saber que fui tirada por uma pessoa tão especial foram motivos suficientes para me fazer chorar.
Aliás, entre amigos todos são especiais. Foi a impressão que tive ao ouvir dezenas de palavras de amor e doçura de pessoas que provaram que não só do tempo depende as amizades. As pessoas são que a solidificam.
Por fim, acredito que seja essa a lição retirada de uma simples brincadeira. O ano pode ter sido desgastante. As pessoas podem ter tido problemas, passado por dificuldades e pensado em desistir. No entanto, no momento em que procura a descontração em meio à alegria que o significado e as luzes do Natal trazem, é que se percebe o quanto é importante valorizar a simplicidade da vida. Pois, ocasiões como essa, são importantes para lembrar de que podem ter acontecido imprevistos pelo caminho, mas com certeza aconteceram mais coisas boas e que tais devem ser guardadas para sempre como a significância da definição que é nos atribuída quando somos o amigo secreto de alguém especial.

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