Esquecendo um pouco os dias letivos da faculdade, decidi viajar com a família em pleno período eleitoral. O destino escolhido foi a capital alagoana. No entanto, o que era para ser férias precoces, tornou-se uma profunda avaliação e indignação com a desigualdade encontrada. A cidade de Maceió, cuja base econômica é composta pela cana-de-açúcar e produção de coco, viu na atividade turística a possibilidade de “fazer negócio”. Um ramo amplo e ambicioso que investe cada vez mais no conforto do turista. Como membro deste grupo e desfrutadora deste investimento, eu deveria ter somente lembranças boas, guardar somente imagens bonitas e passar adiante minha perfeita experiência. Uma pena. Não foi assim.
De Van em Van a caminho de lindas praias com água cristalina e centenas de altos coqueiros, que compõem uma paisagem deslumbrante, frustrei-me. Quem mira o olhar para o horizonte não percebe as pequeninas casas de barro, cobertas com lonas, que estão à beira da estrada sem as mínimas condições de uma vida digna. Famílias enormes, com fome que veem cada turista que ali passa como um “Deus” que pode salvá-los. É triste. E se engana quem pensa que essa miséria se concentra em um canto ou um caminho infeliz pelo qual passei. Não. Ela se estende por toda a cidade e redondeza. Chega a ser irônico quando temos de um lado da rua um prédio restaurado com arquitetura neoclássica, enquanto do outro, há lugares onde não se dá para acreditar que possa morar alguém. Um pedaço de asfalto separa a rica cultura, da falta dela.
E é nessa hora que se faz o questionamento sobre quem é culpado. Uns dizem: são dos governantes. Outros: é do povo que os escolheu. Mas, talvez seja dos dois. Os governos viram na pobreza “a chave para o sucesso”. Milhões de pessoas vazias, no sentido literal e figurado, que somam votos em troca de assistência. Se ainda fosse algo que melhorasse suas vidas, estava bom. Porém, se trata só de manutenção do ciclo podre, baseado nos “Bolsa-lixo” que sustenta a miséria dessas famílias por várias gerações. Crianças que vão à escola não para aprender, mas para se alimentar. Com isso, esses humildes que não tem boca para requerer seus direitos de cidadãos, se conformam com a realidade. Resultado: casais têm 12, 13, 14 filhos para conseguirem se sustentar. Uma descarada troca de favores.
Vésperas do segundo turno. Nas ruas da capital, centenas desses miseráveis, desde crianças até mesmo adultos, passam o dia nos canteiros das avenidas segurando bandeiras que promovem candidatos ao Governo do Estado. Uma vergonha. Tais candidatos em época de campanha tratam esse povo como uma massa única da qual pode tirar proveito e não os encara como indivíduos independentes que compartilham da mesma triste história. Mas, assim que se elegem, nem se lembram dos choros por fome, frio, falta de moradia, enchentes. Lágrimas que escorrem dos olhos de quem não tem expectativa de uma vida melhor. Por fim, se valida o eterno clichê: Poucos com muito e muitos com tão pouco. Ou melhor, quase nada.
Olá !
ResponderExcluirSimplismente achei esse seu texto perfeito !
é a pura e verdadeira realidade Brasileira, a Desigualdade entre as pessoas.
Ta de Parabéns !
Obrigada =).. Vi seu perfil e notei que também é estudante de jornalismo!! Que bom futuro colega de profissão!
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