sábado, 14 de abril de 2012

Um rosto e uma lição de vida


Tem dias em que o jornalismo me desencanta. Nós escolhemos a carreira por determinados motivos e, no meu caso, foi paixão mesmo. Sempre gostei e gosto de escrever, expor reflexões e opiniões acerca de um assunto. Ir a fundo para levar a população a melhor e mais clara informação. Investigar. Matar a curiosidade. Apurar. Noticiar. São muitos os verbos que definem as ações da profissão.

Ei, desviei-me do que gostaria de falar. Portanto, voltando ao desencanto... Acontece que, às vezes, a máscara de veracidade cai e ficamos frente a uma imprensa supostamente livre. A questão ética talvez seja a mais confusa de qualquer campo profissional, mas no jornalismo ela é determinante. Você acredita numa coisa e pratica outra. Sorte de quem consegue fazê-lo da forma como tem que ser. Aí de repente, somam-se junto à falta de liberdade, os baixos salários, a desvalorização da profissão, a queda do diploma, e por tantos outros motivos há dias em que me descontento.

Embora eu tenha alguns motivos para me decepcionar, acredito que não há vitórias sem obstáculos e colocando na balança há muito mais razões para eu amar o que estou pretendendo ser do que para me chatear. Exemplo disso é quando me deparo com pautas que carregam valor sentimental, que lidam com personagens que te fazem acreditar que a profissão vale a pena. Na última reunião de pauta do Jornal 360 propus uma matéria a qual eu tinha muito interesse em fazer. Fui atrás, pesquisei sobre o tema e descobri que não havia campo local para tal notícia. Resultado: A PAUTA CAIU. Com ela, também se foi o meu ânimo, mas, imediatamente, procurei meu professor para me dar uma luz. E ele me sugeriu outro tema.

Trata-se de uma casinha um tanto quanto incomum. No meio de um bairro frutalense, numa esquina qualquer dou de cara com uma “casa de boneca” como as pessoas a denominam. Sobre a casa, prefiro não comentar muito a fim de guardar material para a reportagem da próxima edição. O que eu queria mesmo era falar sobre a dona do lugar. Sem citar nomes, acredito ser uma das pessoas mais felizes que eu já conheci. Com muito esforço e trabalho, construiu carinhosamente cada detalhe que faz a sua casa ser admirada por muitos. Como se não bastasse a beleza da casa, acredito que ela só seja assim devido a dona encantadora que tem. No decorrer da entrevista, seu jeito alegre, extrovertido e carismático, tornou um ambiente, para mim desconhecido, em um dos lugares mais aconchegantes que eu já estive. E essa alegria contagiou e me arrancou sorrisos que fizeram aqueles instantes valerem a pena meu dia todo.

Assim, acho que há males que vem para bem mesmo, pois talvez eu não conhecesse essa história se a minha pauta não tivesse caído. A simplicidade, o respeito e o carinho me fizeram ver naquele rosto desconhecido, uma imagem familiar. E é por esses motivos que a cada dia que o jornalismo me desaponta, há muitos rostos e histórias que me encantam, fazendo reconhecer e acreditar que nada nessa vida me traria mais felicidade do que fazer aquilo que eu faço. Os demais profissionais que me desculpem por transparecer fanatismo de minha parte, mas acho o jornalismo uma profissão apaixonante.

E quanto à dona da casa... Com certeza uma lição de vida.

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